Cidades da Baixada Santista amanheceram com lixo espalhado em várias vias em razão da greve dos trabalhadores do setor.
Situação mais complicada em áreas turísticas, pois em razão do fim de semana com sol e calor, as cidades receberam milhares de veranistas.
Em julho passado, houve uma nova paralisação que demorou mais de uma semana para os serviços de coleta de lixo e limpeza urbana serem retomados.
Na ocasião, os trabalhadores paralisaram as atividades pedindo reajuste salarial de 7%. As empresas ofereciam 5%.
Assim, nesta segunda-feira (16), trabalhadores da limpeza urbana entraram em greve em seis cidades da Baixada Santista.
Desse modo, a paralisação ocorre em Santos, São Vicente, Praia Grande, Guarujá, Cubatão e Bertioga.
Segundo o Sindicato dos Empregados em Empresas de Asseio, Conservação, Limpeza Urbana e Áreas Verdes da Baixada Santista (Siemaco), o principal entrave são os valores pagos no Programa de Participação referente ao ano-base de 2025.
Siemaco
Segundo o presidente do Siemaco, André Domingues de Lima, os trabalhadores têm o direito de entender com clareza os critérios utilizados nesses cálculos e questionar valores que impactam diretamente sua remuneração.
“Antes de qualquer mobilização, o sindicato buscou o dialogo, realizando reuniões e apresentando questionamentos as empresas, com o objetivo de garantir transparência e respeito aos direitos da categoria.
Classificar o movimento como “ilegítimo” ignora o direito constitucional de organização sindical e mobilização dos trabalhadores. A categoria presta um serviço essencial à saúde pública e ao bem-estar da população da Baixada Santista.
O Siemaco Baixada Santista reafirma seu compromisso com o diálogo e seguirá defendendo os direitos, a dignidade e a valorização dos trabalhadores da limpeza urbana.”
Terracom
A Terracom Construções, o Consórcio PG Eco Ambiental e a concessionária Terra Santos Ambiental informam que ingressaram com medida judicial no Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região para contestar a paralisação anunciada pelo Siemaco Baixada Santista nesta segunda feira (16).
“O movimento é considerado ilegítimo, pois não atende aos requisitos previstos na Lei de Greve n° 7.783/1989 para paralisações em serviços essenciais, como o prazo mínimo de comunicação e a garantia de manutenção das atividades indispensáveis à população.
A limpeza urbana é um serviço essencial, diretamente relacionado à saúde pública e ao bem estar coletivo. A interrupção dessas atividades pode provocar prejuízos sanitários graves nas cidades.
A paralisação ocorre após questionamentos do sindicato sobre os valores pagos do Programa de Participação nos Resultados, referente ao ano base de 2025. As empresas esclarecem que o pagamento foi realizado em estrita conformidade com os Acordos Coletivos de Trabalho e com a Lei n° 10.101/2000, seguindo critérios e metas previamente estabelecidos e conhecidos pelo sindicato e pelos trabalhadores.
Os pagamentos do Programa de Participação nos Resultados questionados pelo sindicato foram regularmente efetuados pelo Grupo Terracom, dentro do prazo, na última sexta feira, dia 13 de março.
O modelo de apuração dos resultados é aplicado desde 2014 e foi amplamente apresentado em reunião realizada no dia 10 de março de 2026, quando as empresas detalharam novamente os cálculos e indicadores utilizados ao Siemaco.”
Além disso, diante da ameaça de paralisação total dos serviços de limpeza urbana, as empresas recorreram ao Poder Judiciário para garantir a continuidade das atividades e a proteção da saúde pública nos municípios da Baixada Santista atendidos pelas operações.
Desse modo, as empresas reiteram seu compromisso com a transparência nas relações de trabalho, o diálogo permanente com os representantes da categoria e a continuidade de um serviço essencial para a população.
Prefeituras
A Reportagem entrou em contato com as seis cidades atingidas pela greve.
A Prefeitura de São Vicente informou que acompanha de perto a paralisação envolvendo trabalhadores da Terracom, empresa contratada pelo Município para a coleta de lixo, por se tratar de um serviço essencial que não pode ser interrompido.
“A Administração Municipal reforça que está cobrando da empresa a normalização do serviço e orienta os munícipes a manterem temporariamente o lixo doméstico em suas residências até a retomada da coleta”.
“A Prefeitura também solicita que a população informe, pelos canais oficiais de comunicação, os locais onde a coleta não está sendo realizada”.
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