O Carnaval de 2026 acontece entre os dias 16 e 18 de fevereiro, em pleno verão brasileiro, período marcado por altas temperaturas, exposição prolongada ao sol e intensa movimentação nas ruas.
Desse modo, o que é sinônimo de alegria e descontração pode se transformar em preocupação quando cuidados básicos com a saúde, especialmente com a alimentação e a hidratação, são deixados de lado.
Além disso, a combinação entre calor intenso, longas caminhadas atrás dos blocos, poucas horas de sono, ambientes cheios e mudanças bruscas na rotina impõe um esforço extra ao organismo.
Sem atenção adequada, esse cenário pode levar a mal-estar, desidratação, queda de energia e outros problemas que comprometem a folia.
Nutrição como estratégia de saúde durante a folia
De acordo com a doutora em Ciências, mestre em Nutrição Humana e presidente do Conselho Federal de Nutrição (CFN), Manuela Dolinsky, a nutrição assume um papel estratégico nesse período. “Em dias de calor, esforço físico e rotina desorganizada, a alimentação deixa de ser apenas uma escolha individual e passa a ser um fator de segurança. Manter uma alimentação adequada ajuda a preservar a energia, reduzir mal-estar, prevenir a desidratação, evitar quedas de glicose e favorecer a recuperação do corpo entre um dia e outro de festa”, explica.
Planejamento simples ajuda a manter a disposição
Portanto, para garantir energia ao longo do dia, o planejamento alimentar, mesmo que simples, faz diferença. Sair em jejum aumenta o risco de tontura, fraqueza e exageros alimentares mais tarde. Antes de ir para a folia, a orientação é priorizar uma refeição de base. Desse modo, com alimentos do dia a dia, como arroz e feijão, ovos ou carnes magras, acompanhados de legumes ou saladas.
Aliás, durante o percurso, lanches práticos ajudam a evitar longos períodos sem comer, como frutas, iogurte, sanduíches simples ou pequenas porções de castanhas. A hidratação deve ser constante e fracionada ao longo do dia, especialmente em ambientes quentes e com grande esforço físico.
Erros comuns aumentam riscos à saúde e à segurança
Dessa forma, entre os erros mais frequentes durante o Carnaval estão pular refeições, passar horas sem se alimentar, reduzir o consumo de água e substituir refeições por fast foods e alimentos ultraprocessados. Esses hábitos aumentam o risco de desidratação, dor de cabeça, queda de pressão, náuseas, diarreia, azia e refluxo.
Além do impacto direto na saúde, o déficit de água e energia reduz a atenção e a disposição, elevando o risco de acidentes, especialmente em deslocamentos a pé, em locais cheios e em ambientes com grande circulação de pessoas.
Álcool e ultraprocessados podem “encurtar” a folia
Portanto, o consumo excessivo de bebidas alcoólicas é um fator reconhecido de risco à saúde. O álcool intensifica a desidratação, agrava a ressaca, irrita o estômago e compromete o sono, prejudicando a recuperação do organismo entre um dia e outro de festa.
Já o consumo frequente de fast foods e alimentos ultraprocessados, como frituras, salgados, refrigerantes e doces, favorece sensação de estufamento, piora do funcionamento intestinal e aumento da sede. Quando essa combinação se repete, o corpo responde com mais fadiga, desconfortos gastrointestinais e queda de energia, o que pode acabar “encurtando” os dias de folia.
O corpo dá sinais de alerta que não devem ser ignorados
O organismo costuma avisar quando a alimentação ou a hidratação não estão adequadas. Sede intensa, boca seca, urina escura e em pouca quantidade, dor de cabeça, tontura, fraqueza, palpitações, cãibras e sensação de “apagão” são sinais de alerta.
Também podem surgir azia, náuseas, dor abdominal, diarreia ou constipação, especialmente quando há excesso de gordura, pouca ingestão de água e irregularidade nas refeições. Esses sinais não devem ser normalizados e indicam que o corpo precisa de líquidos, alimentação adequada e descanso.
Depois da festa, equilíbrio sem radicalismo
Portanto, após os dias de Carnaval, a orientação é retomar o equilíbrio sem medidas extremas. O organismo se recupera melhor com hidratação adequada, sono de qualidade e refeições completas, priorizando comida de verdade, como frutas, verduras, legumes, arroz e feijão, ovos, carnes magras, sopas e preparações leves.
Além disso, em casos de sintomas persistentes, como vômitos repetidos, febre, diarreia intensa, desmaios ou confusão mental, é fundamental procurar atendimento de saúde.
Orientação profissional faz a diferença
Dessa maneira, antes, durante e depois do Carnaval, o nutricionista é o profissional habilitado para orientar escolhas alimentares seguras, individualizadas e baseadas em evidências científicas, considerando a rotina, o nível de esforço físico, a hidratação e as necessidades específicas de cada pessoa.
Aliás, folia e saúde não estão em lados opostos: com informação, equilíbrio e orientação profissional, é possível aproveitar o Carnaval com mais disposição, segurança e bem-estar.
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