O deputado estadual Caio França (PSB) cobra explicações da Sabesp diante da falta de água no litoral paulista durante a temporada de verão. Ele foi o único parlamentar da Baixada Santista a votar contra a privatização da companhia.
Moradores e turistas relatam interrupções no abastecimento em várias cidades da região. Santos, Guarujá, Bertioga, Praia Grande e São Vicente registram casos de até cinco dias sem água.
Em Santos, moradores afirmam que passaram o Réveillon sem fornecimento regular de água pela primeira vez em quase 20 anos. No dia 2 de janeiro, bairros próximos aos canais 2 e 7 voltaram a sofrer com a falta de abastecimento. Um caminhão-pipa atendeu um condomínio na Ponta da Praia durante a noite.
Guarujá
No Guarujá, prédios adotaram racionamento interno. Síndicos relatam dificuldades para manter serviços básicos devido à irregularidade no fornecimento.
A situação reacendeu o debate sobre a privatização da Sabesp, aprovada pela Assembleia Legislativa no ano passado. Na época, Caio França votou contra o projeto e alertou para os riscos da redução do controle do Estado sobre um serviço essencial.
Segundo o deputado, a crise revela falhas de planejamento. “A Sabesp precisa se antecipar aos períodos de maior consumo, como o verão, quando a população da Baixada Santista aumenta de forma significativa. O desabastecimento mostra a fragilidade da gestão após a privatização”, afirma.
A Sabesp informa que o problema ocorre por causa do aumento do consumo, do calor intenso, da alta temporada e da queda no nível dos mananciais. A empresa também cita falhas pontuais no sistema de produção e tratamento de água.
Caio França critica a falta de estudos técnicos que embasaram a privatização. De acordo com ele, a Sabesp já tinha capacidade financeira e técnica para cumprir as metas do Marco Legal do Saneamento sem mudar o controle da empresa.
O deputado também destaca a perda de poder do Estado. Antes da privatização, o governo paulista mantinha mais de 50% do capital da Sabesp e reinvestia parte da arrecadação nos serviços. Com o novo modelo, o controle passou para grupos privados.
Para Caio França, o desabastecimento serve de alerta. “A falta de água prejudica moradores, turistas, a economia local e a imagem do estado. Água é um direito básico e precisa ser tratada como prioridade”, afirma.
O parlamentar diz que seguirá cobrando providências da Sabesp e do governo estadual para garantir o abastecimento de água no litoral paulista.
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