Medicina, um bom negócio
O estudo Demografia Médica do Brasil, coordenado pelo professor Mário Scheffer junto à Faculdade de Medicina da USP, revela o quanto os cursos de Medicina viraram um ‘negócio da China’ às instituições de ensino privadas.
Multiplicação
Aliás, só perdemos da Índia no total de cursos de Medicina. Detalhe, o país tem uma população quase seis vezes maior que o Brasil.
Explosão
Entre janeiro de 2024 e setembro de 2025, o Ministério da Educação (MEC) autorizou a criação de 77 novos cursos de Medicina, com 4.412 vagas de graduação.
Assim, no mesmo período, outros 20 cursos ampliaram as vagas, adicionando 1.049 à oferta geral.
Vices
Assim, o Brasil chega a 494 escolas médicas em 2025, com 50.974 vagas anuais de graduação, das quais 80% estão em instituições privadas.
Há duas décadas, eram 143 faculdades e 57% das vagas na área privada.
Bom negócio, hein?
Brasil afora
No estudo, cidades como Quirinópolis (GO), com 50 mil habitantes, foram contempladas com uma faculdade, assim como Penedo (AL), que tem a mesma população de Bertioga.
Tianguá (CE), com 85 mil habitantes, ganhou duas faculdades de forma simultânea.
Realidade regional
A Baixada Santista também sente os efeitos desta realidade.
São quase 450 vagas apenas no próximo semestre distribuídas em cinco instituições de ensino – não bastasse, uma sexta pleiteia o curso.
Já outra quer dobrar a oferta das atuais 100 para 200 vagas.
Sem internato
Lideranças de entidades médicas ouvidas pelo Jornal Enfoque e Boqnews têm relatado esta preocupação, pois com tantos alunos, existem aqueles que fazem o internato (cinco e sexto anos) na Capital por absoluta falta de vagas por aqui.
Sem residência
A situação é ainda pior em relação à residência médica – com uma oferta de vagas bem inferior ao total de formados.
E isso se reflete no atendimento público à população.
Nas UPAs
A situação se reflete nas Unidades de Pronto Atendimento (UPAs), que são geridas pelas organizações sociais, com uso e abuso das quarteirizações.
Na Câmara, o vereador Marcos Caseiro (PT) divulgou um levantamento parcial apontando que dos 45 médicos atuando nas UPAs, somente quatro (10%) tem o RQE – Registro de Qualificação de Especialista, obtido com a residência médica.
Antes, porém, ele falou sobre o assunto durante o Jornal Enfoque de quinta.
Aliás, mesma posição do presidente da Associação Paulista de Medicina – APM Santos, Antonio Leal.
Confira
Na Assembleia
Ex-secretária de Segurança de Santos, a delegada Raquel Gallinati (foto abaixo), foi empossada deputada estadual na Assembleia Legislativa na última sexta.

Ex-secretária Raquel foi empossada como deputada estadual. Foto: Carla Nascimento/Arquivo
Liberado
A nova lei de uso e ocupação de solo da área continental referenda decisão da Cetesb que prevê a implantação de uma Unidade de Recuperação de Energia, com provável queima do lixo.
Mobilização
Por meio da Associação Comunitária do Macuco, moradores atingidos pelas futuras obras do túnel Santos-Guarujá se encontraram com representantes do construtora Mota-Engil, onde manifestaram suas preocupações sobre os impactos da obra.
Na sexta (5), recebem a deputada Sâmia Bonfim (PSOL) para o tradicional café da tarde.
Quem responde?
Afinal,
emendas parlamentares beneficiam entidades públicas e particulares de fato ou só servem para fins particulares de seus autores?
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