Quem passar pela região atrás do Museu Pelé, no Valongo (Centro Histórico de Santos), poderá notar uma simbólica diferença. Já pode ser vista a placa marcando o novo nome da Travessa Anísio José da Costa, angolano, quilombola e trabalhador do Porto de Santos, que faleceu em 1940, aos 110 anos.
Sendo assim, no domingo (13), munícipes e autoridades testemunharam a troca da placa da via, que antes levava o nome de Comendador Netto.
Conhecido à época como macróbio, devido a sua longevidade e vitalidade, Anísio era oriundo da Angola e foi trabalhador do Porto de Santos como ensacador até os 108 anos. Desse modo, tornando-se um símbolo pela sua força. Ainda cativo, fugiu para o Quilombo do Jabaquara, ficando até o fim da escravidão. Aos 90, constituiu uma nova família, tendo sete filhos nos últimos 16 anos da sua vida. Um deles, exemplo de resistência, Helena, ou tia Lena, como é carinhosamente chamada, herdou de seu pai a vontade de viver. Portanto, sendo até hoje frequentadora de atividades da Vila Criativa do Campo Grande.
Homenagem
Desse modo, a moradora do Embaré, completou 100 anos no último mês de março. Durante a cerimônia, foi realizada uma homenagem à longevidade de Helena e a sua família.
Portanto, houve, ainda, participação dos escritores da Quilombagem Literária. E encerramento com a Velha Guarda da escola de samba X-9, campeã do Carnaval de Santos de 2025.
Além disso, a mudança da via consta na lei 4.543, sancionada no ano passado pelo prefeito Rogério Santos, com base no projeto de lei da vereadora Débora Camilo. A iniciativa recebeu apoio da Coordenadoria de Promoção à Igualdade Racial e Étnica (Copire) e do Conselho Municipal de Participação e Desenvolvimento da Comunidade Negra e de Promoção da Igualdade Racial (CMPDCNPIR), ambos ligados à Secretaria da Mulher, Cidadania, Diversidade e Direitos Humanos (Semulher), além do projeto Quilombagem e escola: da memória à história pública e do Comitê Chaguinhas.
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